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GORDINHO: UM ATO POLÍTICO

 Na cultura ocidental o corpo sempre foi um espaço de disputa de poder. A dominação do corpo, seja do seu próprio ou do outro, é um fetiche antigo na humanidade. Passou pelos extremos ideológicos, foi o centro da beleza, da ojeriza, da santidade, do pecado, do doente e do são. A Modernidade o conduziu para um patamar mais mecânico em sintonia com a edificação de uma sociedade disciplinar. O corpo era algo dócil e indolente, preguiçoso e adoentado que  precisava se tornar produtivo. Era necessário disciplina-lo, potencializa-lo. Deu inicio então a uma política do corpo que foi se sofisticando cada vez mais. O Biopoder dobra o corpo para flexionar o espírito. E usa o corpo são para minar a mente do corpo “débil”. O corpo belo é um instrumento de hierarquização social e mantenedor do status quo. É bem mais fácil subjugar às criaturas que se envergonham de sua forma e existência. Na sofisticada Sociedade de Controle não é mais satisfatório simplesmente subjugar o corpo é necessár...

VELHAS DISPUTAS, NOVAS ARENAS: NOVAS TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO, DEMOCRACIA AMPLIADA E CIDADANIA ATIVA

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Cláudio Correia de Oliveira Neto correia.claudio@rocketmail.com Historiador – UFRN Especializando em EJA no contexto da diversidade- IFRN Mestrando em História – UFRN Técnico de Nível Médio Integrado em Controle Ambiental – IFRN Izabel Corrêa ao discutir transparência e democracia traz uma importante contribuição a discussão ao introduzir o elemento tecnológico como elemento chave para uma nova postura de cidadania ativa ao usar estas ferramentas para fiscalizar as atividades e gastos parlamentares. Outro importante elemento que ela trouxe foi a desconfiança como força positiva capaz de produzir ou induzir a produção de tecnologias que auxiliem o cidadão a cuidar dos recursos públicos e cobrar providencias. As novas tecnologias da comunicação e informação (NTICs) possibilitaram estender as formas de participação no espaço público. A retomada do espaço público é um marco significativo na contemporaneidade, desde a idade moderna o que se via era um crescente processo d...

A HISTÓRIA DOS PROCESSOS SELETIVOS DE INGRESSO NO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL (1808-2017)

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Por Cláudio Correia de Oliveira Neto Historiador Licenciado – UFRN Especializando em EJA no contexto da diversidade – IFRN Mestrando em História – UFRN correia.claudio@rocketmail.com             Para Constituição Federal do Brasil (1988) o ensino superior não é contemplado dentro do direito universal a educação. O direito a educação é resguardada a educação básica (os 12 anos do ensino fundamental e médio). No entendimento constitucional o ensino superior deve se dá “segundo a capacidade de cada um”. Isto ocorreu porque no pensamento da época entendia-se que a diplomação de nível superior se converte apenas como benefício do indivíduo que passa a ser um profissional certificado e este benefício não se estenderia a coletividade, portanto ônus e bônus deveriam ser exclusivamente individuais e meritocrático.             Desde de 1808 com a criação das primeiras escolas...

“Ainda que ande pelo vale da sombra da morte”: a produção dos espaços de medo e punição

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Claudio Correia de Oliveira Neto Historiador Especializando em Educação de Jovens e Adultos no contexto da diversidade Técnico de nível médio integrado em controle ambiental correia.claudio@rocketmail.com PRODUÇÃO MATERIAL E DISCURSIVA DOS ESPAÇOS DE MEDO             Na localidade onde você mora deve haver uma rua que se evita passar pelo perigo de ser assaltado, um bairro que frequentemente está nos telejornais policiais, uma parada de ônibus que não é usada em determinado horário devia a arrastão, uma avenida que se apressa o passo para fugir de assalto ou bala perdida. Há sempre um espaço marcado pelo medo. Essencialmente nenhum espaço tem essência em si, a adjetivação do espaço é feita pelos sujeitos que nele habitam de forma material ou simbólica (ARRAIS, 2004) (TUAN,2013). Há um processo de produção de significado que o torna temido pelos transeuntes.  Esta diferenciação espacial se dá de duas formas: a mat...

APOLOGIA A LÓGICA DO DIREITO

Por Cláudio Correia de Oliveira Neto Historiador Licenciado- UFRN Especializando da Educação de Jovens e Adutos no contexto da Diversidade - IFRN Técnico de Nível Médio Integrado em Controle Ambiental- IFRN correia.claudio@rocketmail.com Souza a partir de seus pressupostos teóricos conceitua a lógica como a investigação dos sistemas constitutivos da razão humana seja ela dedutiva ou indutiva. Seria então ela um instrumento de organização do pensamento. Na tradição aristotélica ela pode se configurar de duas formas: lógica formal e lógica material, respectivamente preocupada com a forma e a outra com o conteúdo. Nas raízes históricas ainda se encontra as contribuições do sofistas que empregam a estética em detrimento da razão, buscando estratégias de persuasão baseados na exposição e sensibilização do que no argumento mais racional. No processo histórico vai se produzindo uma polarização entre a lógica formal e a lógica dialética.  A formal é uma herança histórica de P...

SHOPENHAUER, A ARTE DE TER RAZÃO E A PÓS-VERDADE NA ERA DIGITAL

Por Cláudio Correia de Oliveira Neto Historiador Licenciado- UFRN Especializando da Educação de Jovens e Adutos no contexto da Diversidade - IFRN Técnico de Nível Médio Integrado em Controle Ambiental- IFRN correia.claudio@rocketmail.com Todos os anos o Oxford Dictionaries elege a palavra do ano. Para 2016 a eleita foi a “pós-verdade”. Empregada pela primeira vez em 1992 pelo dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich, ela tem aparecido há cerca de uma década no vocabulário acadêmico , mas apenas recentemente tem sido mais cotidianamente aplicada. Segundo dados o uso da palavra cresceu 2.000% em 2016. Além de elege-la a Oxford também a definiu como um adjetivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. Analistas políticos, historiadores e demais profissionais das ciências humanas e sociais tem recorrido ao conceito de pós-verdade para explicar fenômenos como...

Ensaio sobre a cegueira estética

É infelizmente comum que quando eu elogio uma pessoa de linda ou dou uma cantada ou algo do tipo achem que estou zoando dela. Tudo porque não se veem assim. É o que eu chamo de cegueira estética midiática, quando a pessoa é tão bombardeada por um único tipo de beleza estética hegemônica socialmente que ela acaba perdendo a noção de beleza e não consegue de forma alguma se ver como  bela. Elas perdem a percepção de beleza e da diversidade estética com o qual ela se apresenta. Estas pessoas sofrem de uma uniformidade visual (uma única visão do que é belo). Elas se veem no espelhos todas as manhã e noites e são cegas para suas belezas. O olhar delas foi educado para cega-las diante da própria beleza. É crucial reeducarmos os seus olhares para verem a beleza em todas as suas cores e formas.

QUATRO VÍDEOS PARA PENSAR O PARADIGMA RELIGIOSO

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O PRIMEIRO MENTIROSO  Enredo: The Invention of Lying (br: O Primeiro Mentiroso / pt: A Invenção da Mentira) é um filme americano de 2009, dirigido por Matthew Robinson, escrito e estrelado por Ricky Gervais. O filme se passa em um mundo onde as pessoas só falam a verdade e não existe o conceito de enganação, um homem que está prestes a perder tudo inventa uma mentira e não muda só a natureza das coisas, mas cria a base da religião. Comentário: O filme nos leva a questionar o papel da verdade na nossa sociedade e a função social da mentira/ ficcionalidade na construção de sentido de existência. Diante do medo da mãe frente a morte o protagonista a convence que ela irá para um lugar melhor. Link para assistir completo: Clique aqui Trailer:                                                              ...

“Isso é coisa de mestrado!”

Por Cláudio Correia de Oliveira Neto Historiador Licenciando e Técnico de Nível Médio Integrado em Controle Ambiental Correia.claudio@rocketmail.com OLIVEIRA, Margarida Maria Dias de. Os desafios de formação para a docência dos profissionais de História. 2013.p.14. Em pleno corredor do setor de aulas II da Universidade Federal do Rio Grande do Norte as seguintes palavras de ordem foram grafitas “ desescolarize-se.” Esse pedido parece ter muito a falar sobre os silêncios impostos no jogo de saber-poder que ocorre na academia. De certo que a Escola e a Universidade têm suas aproximações e afastamentos. A Universidade se pretende uma formadora de profissionais e produtora de conhecimento. A Escola por sua fez se pretende formadora de cidadãos e produtora de certo conhecimento, que alguns membros da Universidade desconsideram, pois erroneamente julgam que o espaço escolar é um mero reprodutor do conhecimento universitário. Todavia não é leviana a afirmação que ambas com...

O CASO DA RUA LONGA

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Momo e o Senhor do tempo (Livro de Michael Ende) Todas as manhãs, horas antes de o sol nascer, Beppo pegava sua velha bicicleta e ia até um prédio muito grande na cidade. Ali esperava, no pátio, com os companheiros de trabalho, até lhe darem uma vassoura, um carrinho de mão, e indicarem as ruas que deveria varrer. Beppo adorava aquelas horas matutinas, quando a cidade ainda estava adormecida,e fazia sua tarefa com boa vontade e empenho, pois sabia que era um trabalho muito importante. Varria as ruas devagar, mas com muita regularidade: a cada passo uma respirada, a cada respirada uma varrida. Passo - respirada - varrida. Passo - respirada- varrida. De vez em quando parava um pouco e ficava olhando para longe, com ar pensativo. Depois recomeçava, passo - respirada - varrida… Enquanto se deslocava assim, uma rua suja na frente, uma rua limpa atrás, com freqüência lhe vinham a cabeça grandes idéias se...